Tuesday, October 30, 2007

13h32


Libera me (Requiem de Verdi)

"Nuno Lima fica comovido com epitafio e ja nem escreve mais na lapide do tumulo do nosso blog- bonito---"
Esta foi a sms enviada pelo Naine (Os tracinhos saos os pontos do meu telemóvel). Uma vez que tenho uma procuração da iva, eu decido que ficamos por aqui.
Talvez ressuscitemos o blogue um dia, ao terceiro dia, terceiro mês, terceiro ano. Se os Led Zeppelin voltaram porque não podemos nós voltar também? Nunca se sabe!...

Até amanhã!

My life checklist (ordem aleatória)

- comprar um ap.
- deixar de fumar
- trocar de carro
- sorrir às pessoas que passam por mim na rua
- ler o Manual de Instruções da máquina fotográfica
- aprender a dançar flamenco
- tirar um curso de culinária
- voltar a escrever contos
- deixar crescer o cabelo
- ir viver para Praga
- mudar de emprego
- fazer voluntariado
- espetar um beijo a um desconhecido na rua ou num bar
- voltar a praticar exercício físico
- tirar um curso de fotografia
- oferecer muitos presentes fora de época às pessoas que gosto
- aspirar o carro
- tirar um curso de vinhos
- voltar a apixonar-me e entregar-me à paixão
- ir a Buenos Aires
- fazer as pazes com o piano
- deixar de gastar tanto dinheiro em malas
- não permitir que façam sentir um E.T.
- tatuar no peito do pé, cinco compassos da partitura do Adagietto de Mahler
- ver as pessoas como elas são e não pelo potencial que têm
- aperfeiçoar a minha técnica vocal
- aprender a dançar tango
- aprender a jogar xadrez
- voltar a ler muito
- (não) voltar a acreditar em príncipes encantados
- adoptar um criança
- preocupar-me somente com o que é de facto importante
- ser muito feliz


Volvido um ano após a publicação do primeiro post no blogue é altura de questionar se vale a pena continuar a fazê-lo ou se ficamos por aqui.
Da minha parte, e conforme já partilhei com o Naine, não pretendo continuar a escrever com a assiduidade que o fazia. Aliás, até me admiro ter conseguido chegar até aqui. Pensei mesmo que ao fim de meia dúzia de meses já estaria aborrecida. Se tal não aconteceu, a culpa é de todos os que frequentam este sítio, principalmente aqueles que participam activamente, deixando comentários. (Uma beijoca grande para o Jorge, Bruno e Nuno.)
A ideia de criar um blogue surgiu a 2/3 de um Jantar-da-malta-jovem, regado a João Pires, conforme convém. (Eu acho que seria justo de se terminasse também com um jantar. Digo eu!) Na altura pareceu uma boa ideia (claro que pareceu!) e, da ideia, passou-se à prática. A prática trouxe-nos até aqui.
Ontem à noite, quando cheguei a casa depois do ensaio, li o blogue do 1.º ao último post, como se fosse um livro. Ri muito, chorei, recordei momentos que já não tinha muito presente e passei por outros ainda bastante frescos. Alguns parecem-me ter acontecido há tanto tempo!...
Acho que até nem nos saímos muito mal.
Falou-se de (quase) tudo: música, teatro, cinema, crónicas de comboio, jantaradas, treçolhos, comunicados de imprensa, passa-tempo, pop-up thoughts e nice things, sonhos, amores, ódios, levamos puxões de orelhas (do Paulo Brandão!!!), fomos insultados (ou melhor, o Naine foi!), respondeu-se a questões retóricas, discutiu-se o sexo dos anjos, grávidas, fizemos amigos... E agora?
Conforme já sugeri, talvez seja altura de entrar sangue novo. Existe uma pessoa que demonstrou interesse em ser co-blogger do Não-Me-Parece, talvez seja altura de aceitar a sua participação. Ver o que tem para oferecer.
A meu ver, esta lufada de vida dos últimos tempos, não foi mais que o último suspiro antes do beijo da morte. Decretar a hora da morte do blogue, talvez seja radical demais. Eu não consigo! Mas também não vou continuar a fazer respiração boca-a-boca. Preciso de novos desafios. Vou voltar-me para o mundo exterior. Vou começar a levar a cabo alguns projectos/objectivos em carteira. Alguns vossos conhecidos, outros não. Talvez partilhe convosco a minha lista. Considerem um presente. :) Será o meu último post de carácter pessoal.
Mas eu vou continuar por aqui, obfuckingcorse, com as minhas sugestões de leitura, música, cinema, teatro e afins. Até já!

Friday, October 26, 2007

Parece-me bem!

Valter Hugo Mãe (autor do blogue Casa de Osso) vence Prémio José Saramago

"O Prémio Literário José Saramago 2007, instituído pela Fundação Círculo de Leitores e destinado a jovens autores com obra editada em língua portuguesa, foi hoje atribuído por unanimidade a Valter Hugo Mãe pelo livro "Remorso de Baltazar Serapião"."
in SIC Online

Thursday, October 25, 2007

Savage Beauty

Animal Collective’s feral sound
by Sasha Frere-Jones (The New Yorker)

Anota aí!

Hoje
(última quinta-feira do mês)
Remember Batô, no Batô (Leça da Palmeira)

Amanhã
Concerto do CSCP
Igreja de Nossa Senhora do Porto
21h30
Entrada Livre

Este fim-de-semana
Festa do Cinema Francês
Cinema Medeia (C.C. Bom Sucesso)

Halloween Party
Maus Hábitos
Teaser Club

Próximo fim-de-semana
TRAMA - Festival de Artes Performativas

À terceira é de vez

Nouvelle Vague
Teatro Sá da BAndeira
6 de Dezembro
24,00€

maybe, maybe

Não sei se consigo ir ver Peter Murphy ao Pavilhão Municipal de Gaia...

Peter Murphy
Pavilhão Municipal de Gaia
30 de Novembro
10,00€

Wednesday, October 24, 2007

Fab 5

Nesta fase de transição que é o Outono, em que nem é Verão nem é Inverno, nem carne nem peixe, não apetece sair nem ficar em casa, não apetece fazer novas amizades, apetece regressar às existentes. Que amizades são essas? São aquelas que, mesmo não tendo passado o Verão connosco, agora voltam e retomamos precisamente de onde tinham ficado. Não são estranhas. Aquelas onde o silêncio é confortável.
Sempre me dei melhor com os rapazes do que com as raparigas. No entanto, no meu núcleo duro, as raparigas prevalecem: uma do tempo da primária, uma do tempo do secundário, uma do tempo pré ensino superior, uma do tempo do ensino superior e uma do tempo pós ensino superior. Três casadas e duas solteiras. Uma romântica, uma inconformista, uma poderosa, uma me(i)ga-doída e uma meticulosa.
Todas diferentes, todas minhas amigas.
São estas gajas que me vêm tal como sou. São as gajas que, mesmo quando eu juro a pés juntos que não, elas sabem que é sim. E com um simples sorriso me fazem compreender isso. São aquelas gajas para quem posso nem sempre correr quando algo de bom acontece, mas a quem com toda a certeza recorro quando algo de ruim se passa. São as gajas que estão sempre lá, a ouvir-me cantar, como se fosse a primeira vez, “Oops, I did it again”…
E, por este Fab 5, TUDOOOOO!

Portanto, se uma gaja do Fab 5 me pede para recordar "Easy" dos Faith no More, eu, mesmo algo renitente, acedo! E, só não fui mais célere porque o trabalho tem apertado!



Mas não vou sem deixar uma provocação...



Fui!

Tuesday, October 23, 2007

Pop-up thoughts

A propósito desta notícia sobre um (im)possível regresso dos Suede, recordei o "maybe, maybe".

Hey girls, remember this?... LOOOOOOOL



Eu tinha este CD. Onde é que ele andará?!...

Sexta-feira, 26 de Outubro

Concerto do Coro da Sé Catedral do Porto

Igreja de Nossa Senhora do Porto
às 21h30

Deixo mais uma amostra do que poderão ouvir: Os Justi, Anton Bruckner.



PROGRAMA (só parte coral)
"Jauhzet dem Herren alle Welt" (Salmo 100), Heinrich Schutz
"Selig sind die Toten", Heinrich Schutz
"Verbum Caro", Duarte Lobo
"Warum ist das Licht gegeben dem Muhseligen", Joahnnes Brahms
"Cantate Domino", Claudio Monteverdi
"Ave Maria", Anton Bruckner
"Os Justi", Anton Bruckner
"Hallelujah", Georg Friedrich Haendel

Monday, October 22, 2007

Personalidade do Aquário: "Vive e deixa viver"

Os Aquarianos não são da Terra, são de outro planeta ou qualquer coisa. Não são como nós, são estranhos, e eles gostam assim. Sabem como a Lua afecta o estado psicológico dos animais e conseguem prever descobertas científicas futuras. Sabem conversar com os animais e com as estrelas, sabem coisas que nós humanos não sabemos, acreditem. As pessoas pensam que os Aquarianos são esquisitos, mas isso é devido ao facto de os génios serem injustamente acusados de serem malucos. Não se preocupam com o que possamos pensar e não perdem tempo a descobrir. Pensam que é extremamente inventivo fazerem uma casa acolhedora a partir de uma caixa de cartão. Pagam-nos um café e explicam-nos como aproveitar a energia do esgoto para gerar calor. Deixam-nos a sentir bem vindos e estranhos. São o signo do amor fraterno.

AMIZADE
Os Aquarianos adoram conhecer novas pessoas. Podem aprender algo e passar a outros teorias. Encontram algo de bom em qualquer pessoa. Têm muitos amigos e pouco inimigos. Os seus amigos mais íntimos costumam ser radicais ou boémios, como eles próprios. Não fiquem ofendidos se eles não se lembrarem do seu nome. Com todas as coisas que têm na cabeça, têm tendência a ser um pouco cabeças no ar.

AMOR
Os Aquarianos ficam intrigados em relação ao romance. Mas o que é realmente importante para eles é a amizade. Toda aquela conversa doce parece uma perda de tempo para eles. Afeição em público é embaraçoso, e eles não se embaraçam facilmente. Enquanto estamos a tentar com que eles reparem em nós, eles estão a pensar nas fases da Lua. Como necessitam de espaço para explorar, muitos nunca chegam a casar. Dêem-lhes espaço, quanto mais lhe derem, mais fiéis serão.

http://astrologia.sapo.pt/Xz2305/515507.html

Previsão
O gosto pelo conhecimento, estudo e informação fresca estarão acentuados

Meditação
Prepare-se para disseminar, libertar e despertar seu espírito

Perfil
Depois de ter construído algo na sociedade, é hora de consolidar o conhecimento de tudo que foi feito. E assim chegamos ao último signo fixo da seqüência zodiacal, Aquário, cuja função é encontrar meios racionais para que a maior quantidade possível de pessoas possa usufruir de tudo o que foi criado em Capricórnio.

Aquário é o signo que usa a racionalidade e confia na mentalidade das pessoas enquanto coletividade. Seu nativo age mais na coletividade do que em relações pessoais. Ao contrário de Leão, seu signo oposto, ele quer o fim do poder central, pois acredita que este é o único jeito de ser justo e racional. Vem daí sua inclinação para incorporar novidades tecnológicas, pois elas podem libertar o ser humano da prisão que as estruturas criaram.

Apesar de ser amante da humanidade, o aquariano é um solitário. Ele consegue antever o que ainda não foi inteiramente criado, mas que já pode ser imaginado. Para ousar e inventar, o nativo de Aquário precisa ter a mente aberta.

Signo da produção em série, da moda e das ideologias reformadoras, Aquário trata todo mundo igual, do mais humilde ao mais imponente membro da sociedade, pois percebe a humanidade que ambos possuem. E é em prol desta humanidade que o aquariano é capaz de comprar as brigas mais feias e sofrer a perseguição dos mais conservadores.

O nativo deste signo acredita no que pode compreender e busca razões até mesmo para as emoções, campo complicado de sua vida. Aquário precisa de espaço para ir e vir, trocando informações sempre, pois é signo de Ar, muito sociável. Trata amigavelmente a todos e preza sua liberdade, pois precisa dela para exercer sua lógica fria e inovadora. Ao seu ver, as razões afetivas anuviam o julgamento límpido.

O aquariano quer ser diferente, mas odeia ser encarado como tal. Ele preza a igualdade a tal ponto que pode se tornar autoritário, quando não vê esse seu desejo ser atendido.

Na saúde, Aquário governa os tornozelos e o sistema nervoso periférico, sendo este o seu ponto mais vulnerável. Apesar de adotar um estilo de vida frenético e ousado, este nativo nem sempre tempera bem sua necessidade mental com seus limites orgânicos, vindo daí alguns desequilíbrios.

Apesar de pacífico, Aquário pode defender soluções violentas para os problemas sociais. Na melhor das hipóteses, ele é um inventor, alguém que está sempre adiante de seu tempo, principalmente na moda, na literatura, na política e na história, seus campos privilegiados de auto-realização.

Nas profissões, o aquariano está na linha de frente da empresa de tecnologia de ponta, tentando descobrir como fazer com que o maior número de pessoas tenha acesso às descobertas científicas. Também está presente na política, com idéias revolucionárias que podem chocar os mais conservadores.

No amor, Aquário ama a liberdade pessoal e não gosta de pessoas dependentes, muito emotivas ou que exijam provas de afeto. No sexo, tudo é relativo. Há os que só se acendem depois que a identidade intelectual é acionada, e também aqueles que não se importam com isso. Apesar de amarem a autonomia, aquarianos são capazes de grande fidelidade e devotamento a uma pessoa, quando assim o decidirem.

O nativo de Aquário não gosta que sua vida íntima seja devassada por olhares estranhos. Por ser ousado e gostar de novidades, ele tem sempre uma porta aberta para as aventuras, o que pode impedir um casamento mais conservador.

http://www.moo.pt/astrologia/horoscopo/?id=aquario

O signo de Aquário é regido por Urano desde a sua descoberta em 1781. Fisicamente é relacionado com os tornozelos, bem como ao sistema de circulação. É dito que tem uma natureza masculina, e é orientado mais exteriormente na expressão de energia. Como é um signo de Ar é muito social, aprecia e participa em espetáculos em grupo e organizações sociais. Como é um signo Fixo tem determinação e poder, e é relacionado a convicções ideológicas.
A influência de Aquário é expressada de um modo bastante teimoso nas suas opiniões, mas o signo também é relacionado fortemente a ideais sociais e humanitárias. Planetas neste signo expressam-se de uma maneira sem igual e não convencional. Isto pode conduzir a uma experiência de alienação ou isolamento social. A energia de Aquário é, na sua essência, amigável e se expressa em relações sociais onde os ideais que se compartilham representam mais do que a emoções. Energia de Aquário está fresca e destacada, e um maior equilíbrio poderia ser alcançado se pudessem ser investidos mais calor e identidade na expressão da personalidade.

http://www.lacquaproject.com/Signos/Saiba%20mais/11-Aquario1.htm

Generoso e franco, o aquariano ama as artes e a tecnologia. Tem mania de prometer mais do que realmente pode fazer. Excêntrico, futurista, inovador, do contra, prefere seguir seus gostos incomuns do que se render a preferência da maioria, possui um intelecto elevado, uma opinião forte e um grande senso de justiça, extremamente individualista e totalmente despreconceituoso. Resumindo é totalmente original, não depende de ninguém pra nada, forte intuição,calculista, é o único signo místico do zodíaco, tolerante, prefere fazer um novo amigo ao invés de ter uma noite de amor, abstrato demais em relação ao amor, sempre ajuda quem pede ajuda. Pessoas que nascem sob o signo aquário tem forte tendência ao sucesso, evitam mentir, mas sabem mentir e muito bem, é também um detector de mentiras humanos, pode imaginar o que estão pensando dele neste momento, o que podem pensar, sabem quando não são bem-vindos... se adaptam a qualquer lugar sem precisar sofrer com isso.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Aqu%C3%A1rio_(astrologia)

Se foram leitores atentos, repararam que:
manipuladora
perigosa
azeda e
má,
não faz parte das caracteristicas dos nativos deste signo. E mais não digo!

complicado



Não se tornou mais complicado, porque sim, ou por isto e aquilo e, essencialmente, porque é assim mesmo. Aliás tornou-se mais complicado, nem é propriamente exacto. É apenas mais fácil de dizer. Mais fácil de entender por quem lê isto a primeira vez, para quem relê para melhor compreender, em suma não dá tanto trabalho a explicar, pois todos sabem, mais ou menos, em algum ponto da sua vida, o que significa mais e complicado juntos. Embora… embora hoje não me apeteça… Complicado…
Complicado é apenas o termo, minimalista, que convencionamos para o, não sei como O fazer. Pois na verdade, não é complicado que parece ser. Aparenta muito mais, e aliás objectivamente, parece ser muito mais, penoso.
A verdade é que o exercício não se tornou mais difícil, apenas mais longo, as variáveis mais numerosas e mais voláteis, e os meios disponíveis, embora melhores, também eles levam mais tempo a serem apreendidos, assimilados e engrenados, o que por sua vez engrossa as duvidas, os raciocínios dúbios e a percepção adulterada.
Nesta ultima situa-se em muitos casos, o conflito com o termo em epigrafe. Na minha, ultimamente, percebo que aí reside a causa da altercação. Retrocedi, decalquei e ponderei, sobre o sucedido e algo sucedeu. Num auto-exame, agora, obrigo o tempo a passar sobre o diagnóstico e a verificar que à prescrição falta o principio activo, não do antídoto, mas sim do veneno.
Assim mesmo, o confronto de hoje, não me parece nem mais fácil, nem tão pouco mais difícil (e há quem o diga… complicado), do que o de ontem. O adversário é o mesmo e a arena no mesmo sitio do costume. O júri e o publico, imutáveis, apresentam-se como sempre. Mudos. O que não seria de estranhar, não fosse o barulho ensurdecedor. O que seria, normal se eu não soubesse desde já, que quer ganhe ou perca, amanhã tenho que estar lá outra vez.
É uma luta estranha, esta. Estranha porque não se lhe conhece registo de vencedores ou vencidos. Claro, seria normal se não houvesse prémio, mas o facto é que o há e dos bons. Um prémio daqueles que não se costuma ganhar neste tipo de disputas, uma espécie de louvor. Sabem um louvor, tal como qualquer medalha de mérito ou até mesmo um Nobel, embora neste ultimo caso, como envolve dinheiro, não se deva esperar liquido que assim seja; um louvor não é algo pelo qual se lute, corra ou concorra. Não se pode fazer lobby, adquirir uma percentagem ou até mesmo ser candidato. Um louvor é algo que não se ganha, é algo com que se é agraciado, algo com que somos distinguidos dos demais. É um pequeno objecto, distinto de qualquer outra matéria conhecida, natural ou sintética. Ou seja, um prémio assim é recebido, por alguém que ignorando a reserva da sua própria vida, presta serviços de inigualável coragem e altruísmo em prol de outrem (sendo essa uma figura individual ou colectiva), não esperando receber nada em troca, a não ser o da concretização do objectivo do acto em causa.
Assim e por isso mesmo, é esquisito que numa luta assim,… diária, incessante e conhecida, onde todos os dados são desde há muito sabidos, ninguém ainda tenha em sede própria reclamado tão ambicionado titulo.
Agora que assim se me apresenta a questão, esclareço que a fuga é impossível. Ou seja temos que estar lá. Fazemos parte do espectáculo e por vezes até participamos como protagonistas, mas é no papel secundário, que me distingo. Porque ensaiei demasiadas vezes, o texto sei-o de cor e por ultimo fui o único a decorar as marcas do palco onde me movo. Chego lá primeiro que todos e só depois dos mesmos terem saído é que eu me retiro. Ninguém se engana porque não deixo. Sei as deixas de todos e adianto as minhas, regulo o volume conforme roucas estão as vozes dos papeis principais e em todos os momentos conduzo, interminável de exactidão o corpo dançante do par que acompanho. Troquei todas as marcas por onde começam e acabam todas as representações, reorganizei-as e retirei do palco todos os cruzamentos.
Intensificou-se então a sensação, algo intemperada, como mesmo assim a equação não se resolveu. Produto menos consumo invariavelmente dariam inventário, este permanente, proporia investimento do lucro e retracção dos gastos, salvo melhor opinião o erro, reduzido a expressão percentual aceitável, produziria competitividade e acima de tudo prolongaria o tempo de espera pela falência. E como aqui a falência ocorre apenas em situações extremas, o factor de risco associado a esta operação é… suportável.
Daí o engano ser compreensível. Nada de errado, se encontra aqui a não ser, uma ou outra perspectiva mais desfocada, ou melhor, mais infectada e que por isso mesmo, embora variando de cada um para cada si, essas deduções perfazem na totalidade a margem de erro acima mencionada. De todos os ângulos o que não pude imaginar é que, isto me atacaria pelo inverso.
O que me matou foi a espera. Engraçado não. De tudo aquilo que temos presente, como potencialmente perigoso, e isso claro, clamo com veemência inclui-nos a nós, não nos atraiçoa com muita facilidade. Os amigos tem-nos perto e os inimigos mais, estratégia de sublime perfeição. Ganhamos juntando-nos a eles, independentemente da força de cada, pois não é a união que faz a força, a união faz o numero, a ultima é a percepção que a realiza. “Todas as batalhas são ganhas antes mesmo de serem travadas.”
Mas a espera, é que eu não estava à… espera. O tempo tem, claro imensas definições e essas têm origens várias e acima de tudo falar do tempo é usual. Tornou-se um hábito contá-lo, vê-lo passar e prostrados no confortável divã, transforma-se de segundos em minutos e em horas sem darmos conta ou então apercebendo-nos exactamente daquilo que por lá passou. O passar do tempo é variável. Depende da perspectiva e esta ultima, depende de nós e muitas vezes do nosso tempo, mas a espera…
Essa demora exactamente o tempo que precisa. Não há perspectiva que condicione a espera. Eu sei que nos parece que esperamos quase sempre muito e que de vez em quando pareceu tão pouco, mas… a espera não se prolongou ou deteve entretanto. A espera tem uma qualidade incrível. A espera não é poupada, encurtada ou diminuída. A espera nem sequer pode ser resumida. Leva exactamente o seu tempo a passar. Não é vagarosa nem apressada.
Nunca pensei o que fazer, com o tempo que espero. Apenas faço tudo para não pensar no tempo, nesse tempo e que tempo! Mas agora, nesse tempo vi que me perdi tempo demasiado. É tempo que não volta atrás e enquanto o outro é perdido, recuperado, vivido ou ignorado… este é resolvido. A espera termina e depois vamos ao resto. A espera surpreende-me agora… curiosamente como Thom Yorke canta e muito bem, “sem alarmes e sem surpresas.”
Se me for dado outro tempo para esperar, vou sem duvida aproveitá-lo. Mas com precaução. É que sou novo nisto de esperar e… Vou tentar daqui até à morte esperar pacientemente para que a espera não passe a correr. Vou torna-la contemplativa, se calhar propositadamente morosa, não sei se vai ser paliativa e provavelmente será chorosa… afinal a espera é sempre duvidosa.

À procura de casa I

Já sabia o que ia comprar para decorar o estúdio e já me imaginava a fazer grandes jantaradas.
Infelizmente, os estúdios estão todos vendidos ou reservados.
Segue para bingo!

Friday, October 19, 2007

Black & White

The Black Ghosts e White Rabbits

Sugestão Sound&Vision

Me gusta mucho! O vídeo de Some Way Through This dos Black Ghosts é muito porreiro: AQUI.


foto de Pedro Moreira

Ainda estão a tempo de visitar a sua exposição individual, no Salão de Chá Actos, Rua Sá de Noronha, Porto (ao lado do Moinho de Vento, perto do Teatro Carlos Alberto). Até ao final do mês de Outubro.